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Neste dia ganhei 15 reais

por João Gomes – Violeiro

Teve uma vez que eu cheguei em uma mesa para tocar viola e o pessoal sentado nela pediu para parar. “Eu detesto violeiro”, diziam eles, “pode parar!” E eu parei. A mesa ao lado viu aquilo e me pediu para tocar. Fiquei sem-graça, pois a mesa ficava bem ao lado daqueles que não queriam me ouvir tocar. Mas toquei! Uma, duas, três músicas sem parar.

De um lado a mesa que pediu para eu tocar me acompanhava e sorria, do outro lado a mesa que havia pedido para eu parar ficava de nariz torcido. Me senti muito bem!

Há 10 anos venho toda a noite tocar aqui no Beirute! Neste dia ganhei 15 reais.

Ti Ti Ti no Beirute

por Pedro Abdalla

Estávamos tomando umas cervejas em uma mesa enorme e o cabeleireiro Carlinhos Beauty chegou no Beirute! Começou a dar “close”!

Na mesa tinha um grande amigo meu, produtor de moda e o Carlinhos começou a dizer alto, com uma taça (vazia) na mão que tinha acabado de sair de um coquetel regado à champagne! Ficou lá se exibindo e dando pinta! Nosso amigo estava tomando diabo verde e o Carlinhos naquele blá, blá bla…

Nisso meu amigo, produtor de moda, levantou da mesa e começou a acabar com a vida do Carlinhos. Ele retrucou dizendo que usava diamantes, que tinha uma BMW. E meu amigo chamando ele de brega, de cafona, que ele fazia parte de uma comunidade no Orkut chamada de “Eu tenho medo do Carlinhos Beauty”, que o cabelo dele era horroroso e… De repente o Beirute inteiro começou a gritar e a bater palmas, aplaudindo meu amigo.

Foi um bafafá!

Gatinho Yellow

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por Fran Carlos

Eu tava no Beirute da Asa Sul com um amigo por volta de umas 5h da tarde. A partir daí, o movimento foi aumentando, aumentando. Deu 5:50h, 6h, 7h e quando deu umas 8h da noite eu vi que eu estava rodeado por uma mesa de homens , muitos homens.

Comecei a ficar preocupado com aquela situação, porque os homens estavam mandando bilhetinhos para mim, um negócio meio esquisito. Falei com meu amigo: “ A gente precisa sair daqui!”. Ele falou: “Não, vamos ligar para nossas namoradas e falar para elas virem para cá, que daí o clima fica mais tranqüilo.”

Passou um tempo, elas chegaram e sentaram na mesa com a gente. Mas ao invés do clima melhorar, piorou, porque os caras começaram a ficar com ciúmes e começaram a falar mal das respectivas. Decidimos ir embora.

Antes de sairmos eles fizeram um corredor e quando passamos começaram a gritar: “Tá levando o nosso gatinho embora! Deixa ele aqui! Deixa ele aqui!”. Fiquei conhecido pelos donos do Beirute e pelos garçons por “Gatinho Yellow,” pois era como eles endereçavam os bilhetinhos. Naquele dia estava usando uma camiseta amarela.

Dia do Beijaço!

por Ana Carolina Costa Ferreira

A história que mais me marcou do Beirute foi o “Dia do Beijaço”. Foi um dia que se reuniram vários casais gays e prometeram se beijar em público ao mesmo tempo. Na verdade, o Beijaço foi importante para mim para diversas coisas.

Primeiro porque abriu minha cabeça para o mundo, porque até então eu não era assumida, e depois para eu ver a forma como aquilo tudo foi aceito pelos garçons, pelos funcionários e pelo restante do público que não era gay. Foi muito bonito, foi muito respeitoso, todo mundo aplaudiu de pé e aquilo marcou muito para mim, porque naquele dia, quando cheguei ao Beirute, não sabia o que estava acontecendo. Vi o pessoal se reunindo, o pessoal se arrumando nas mesas e aí deu uma certa hora e eles falaram: “É agora!” Fiquei impressionada pelo respeito da pessoas, porque o Beirute é freqüentado por pessoas muito tradicionais de Brasília.

Muita gente acha que o Beirute é um bar gay e isso não é verdade. O Beirute é um bar que tem uma cabeça aberta onde os gays se sentem a vontade e respeitados por todos.

BBB: Big Brother Beirute

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por Daniel Amaro

Certa vez uma galera estava reunida no Beirute da Asa Sul para a tradicional cerveja de domingo.

Acontece que o bar estava cheio e não parava de chegar gente para ficar na nossa mesa. Fomos nos apertando até chegarmos em um momento crítico: alguém deveria sair da mesa. Mas quem? Eis que surgiu o BBB: Big Brother Beirute. Depoimentos, confissões, votos, rolou de tudo até chegarmos em 3 nomes finais. A decisão acabou ficando por conta de um depoimento infeliz de um amigo que, infelizmente, não teve como ficar na mesa depois do “furo”.

Tudo devidamente documentado em vídeo:

Trupe do Bem

por Bruno Mendonça Alves

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Eu já gostava de cerveja quando cheguei em Brasília em 1999, mesmo ano que conheci o Beirute. Lugar de interações estéticas das linguagens artísticas, políticas, filosóficas, enfim, as mais variadas.

Venho de Magé/RJ, onde exercia uma boemia moderada por causa da idade, mas em Brasília tudo mudou. O Beira Sul esteve presente em muitas das minhas decisões, uma delas foi de escolher a Artes Cênicas para minha trajetória acadêmica, as quais me levaram ao teatro de rua.

Durante quatro anos consecutivos o Beirute serviu de palco para a “Trupe de Bem”, grupo de teatro criado pelo Estruturação – Grupo Homossexual de Brasília – com patrocínio do Ministério da Saúde. Éramos quatro atores, dois homens e duas mulheres, e um diretor, que nesses quatro anos, de 2001 a 2005, chegávamos ao Beirute e lá apresentávamos esquetes e distribuiámos preservativos. Fizemos mais de 30 apresentações. Após cada apresentação tinha uma pausa para o famoso quibe do Beiras e depois seguiámos para a ex-boate Garagem, a fim de finalizar a temporada, porque a cada mês tínhamos uma nova performance a elaborar.

Então já viu, nada melhor do que ir ao Beira tomar uma cervejinha, encontrar com os amigos, comer uma comida daquelas (hummmm…), num lugar de inspiração para criação, decisões, reunião e intercâmbio. Um ambiente múltiplo, que contempla a diversidade cultural da cidade.

Moro em Bsb há onze anos e desde então frequento o Beira, e não dispenso a cerva servida em neve.

Bofe exxxcândalo

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por Priscila

Sempre frequentei o Beirute, principalmente na época de faculdade. Tenho um amigo gay que se sentia melhor indo para lá, porque o Beirute sempre foi reconhecido por ser um bar democrático, sem qualquer tipo de preconceito.

Em mais uma reunião da turma, cheguei com meu, então, namorado ao Beirute da Asa Sul. Sentei a mesa com meus amigos e meu namorado foi ao banheiro. Logo depois o amigo, que mencionei, senta ao meu lado e diz: “Priiii, tem um bofe exxxcândalo no banheiro!! Que homem!! Mas acho que ele não é…”, disse desolado. Continuamos a conversa. Eis que, descendo as escadas, um homem não parava de olhar em nossa direção. Meu amigo diz: “Priiii, é aquele! Nossa, ele não pára de olhar pra cá…”. E eu: “É, amigo, tô vendo! Será que ele gostou de você?!”. “Será?!”, ele retrucou. O homem começou a se aproximar da gente e meu amigo estava cada vez mais tenso, fazendo caras e bocas para o homem e pra mim! O homem sentou, meio sem graça, ao meu lado.  … Silêncio… Os olhares ficaram se cruzando por longos segundos na mesa.

O silêncio foi quebrado: “Huguinho, esse é Zezinho, meu namorado!”. Conclusão da história: meu amigo ficou rosa-chiclete com a situação! Logo depois, demos boas risadas do ocorrido!