Aqui termina a parte triste da história

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por Paulo Sérgio Hilário Vaz

Infelizmente a minha história não começa bem, mas termina de forma sensacional.

Há dez anos atrás estava com minha mulher tomando uma cerveja no Beirute quando decidimos ir embora e topamos com um sujeito urinando bem na porta do Beirute. Como estava com minha mulher cometi a estupidez de pedir para que o sujeito assim não fizesse e para minha surpresa passou a me agredir e a minha esposa. Saimos no braço e fui surprendido mais uma vez com a covardia de seus amigos que passaram a me chutar ainda no chão e resumindo fui parar no hospital. Aqui termina a parte triste da história.

Depois desse fatídico acontecimento voltei ao Beirute somente 5 anos depois a convite de minha mulher que insistiu que queria me encontrar lá, foi quando fui surpreendido pela terceira vez, informado que seria pai e que a escolha do Beirute seria para começar uma nova vida e apagar a parte infeliz que a partir daquele dia ficava pra trás.

Hoje minha filha Júlia tem cinco anos e celebramos a vida e seus aniversários sempre no Beira.

Assalto na 109 sul!

por Mayara Yano

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Uma vez estava no Beira almoçando e de repente acontece um corre corre na 109 sul…

Sem que eu percebesse uma pessoa entra embaixo da minha mesa e fica agachada entre a mesa e o banco.

Dois PMs entram no restaurante e perguntam ao garçom se viram alguém suspeito passar pelo estabelecimento. Na mesma hora, olho para baixo e o indivíduo havia desaparecido, e com ele, minha deliciosa porção de mini-kibe com coalhada!!!

Só no beirute mesmo…

Um copo de filosofia

por Luiz da Motta

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O Mundo mudou quando um economista fez a seguinte pergunta: “Ok;  mas quem é que paga?”, provocando um instante de silêncio na mesa.

Em seguida, transbordaram argumentos de todo tipo: teoria da conspiração, novo milênio, auto-ajuda, ONGs internacionais. Do nada, outra cerveja surgiu aberta sobre a mesa. O revolucionário tecia longas costuras retóricas. Mas o economista insistia, enquanto temperava o kibe com precisas gotas de limão: “ok; mas quem paga?”

Um amigo do amigo que chegara sozinho naquela noite e se acolhera à mesa, percebeu a oportunidade de mostrar que estava presente: “O foco não é esse, minha dignidade não está à venda”. Desastrado, derrubou a cerveja mais recentemente aberta sobre a mesa, cheia de flayers. Quem salvou foi o Arleudo, que com um pano interveio antes que a bebida grudenta escorresse por sobre o colo dos fregueses. Mas o tal amigo do amigo derramou tudo de vez: “O terceiro setor é a medida entre a onipresença do estado e a competência do mercado”. Ok-mas-quem-paga?

Permaneceu sobre as cabeças, igual o dirigível da Nestlé em dia de evento na Esplanada. Do outro lado da mesa de jacarandá, o músico, quarenta e cinco anos, já tinha tocado com a galera da Plebe, sem um puto no bolso e de olho no último pedaço do kibe, não tinha nada a perder: “Nós artistas temos a Internet pra não sermos mais escravos do mercado”. Foi como se hasteasse uma dessas faixas em flancos de viadutos: “Ok! Mas quem é que paga?!”

Do outro lado do estabelecimento, com madeixas loiras premeditadamente ao léu, combinando com o conversível que estacionara na calçada em frente ao bar, Carlinhos Beauty deslizou pelo corredor e parou em frente à mesa, entorno da qual os rapazes debatiam. Como sempre, quem pela primeira vez ali bebia admirou-se com a performance. Num movimento preciso, leve, Beauty deu meia volta, levantou o queixo, fixou o infinito e, indiferente, retornou para o ponto de onde se lançara. Os rapazes entreolharam-se e, enfim, concordaram: “Ok; mas quem é que paga…”

Tá ótimo do jeito que tá

por Iain Semple

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Estava presente na noite do beira da sul quando mudaram a disposição das mesas.

Todos se sentiam desconfortáveis… De repente, em uma simples troca de olhares e em uma cumplicidade silenciosa, todos nos levantamos e recolocamos as mesas no lugar de origem.

Uma salva de palmas e nunca mais mudaram as mesas de lugar!

A missa no Beirute

por Frei Pedro Lopez

Bem, primeiro me apresento. Sou Frei Pedro Lopez e em Abril de 2001 celebrei a minha última missa. Fui padre no aniversário 35 do Bar e Restaurante Beirute. Na mesma semana fui chamado pelo meu superior que queria explicações de tal ato sem autorização do Arcebispo local, e por isso mesmo, antes de ser expulso da igreja católica, solicitei dispensa do ministério sacerdotal, mas continuo um frade franciscano capuchinho, e de licença até hoje, pois não daria o gosto de ser expulso por ninguém…

Desde então continuo no Beirute, sempre repleto de amigos e familiares. Acredito que esse feito é único e por isso mesmo resolvi escrever esta história, afinal, desafio a quem quer que seja, a contar um feito igual!

Lembranças a toda família Beiruteana e muita Beirabier gelada, pois nós merecemos ser felizes e pra mim o caminho da felicidade passa pela mesa do Beira.

Trupe do Bem

por Bruno Mendonça Alves

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Eu já gostava de cerveja quando cheguei em Brasília em 1999, mesmo ano que conheci o Beirute. Lugar de interações estéticas das linguagens artísticas, políticas, filosóficas, enfim, as mais variadas.

Venho de Magé/RJ, onde exercia uma boemia moderada por causa da idade, mas em Brasília tudo mudou. O Beira Sul esteve presente em muitas das minhas decisões, uma delas foi de escolher a Artes Cênicas para minha trajetória acadêmica, as quais me levaram ao teatro de rua.

Durante quatro anos consecutivos o Beirute serviu de palco para a “Trupe de Bem”, grupo de teatro criado pelo Estruturação – Grupo Homossexual de Brasília – com patrocínio do Ministério da Saúde. Éramos quatro atores, dois homens e duas mulheres, e um diretor, que nesses quatro anos, de 2001 a 2005, chegávamos ao Beirute e lá apresentávamos esquetes e distribuiámos preservativos. Fizemos mais de 30 apresentações. Após cada apresentação tinha uma pausa para o famoso quibe do Beiras e depois seguiámos para a ex-boate Garagem, a fim de finalizar a temporada, porque a cada mês tínhamos uma nova performance a elaborar.

Então já viu, nada melhor do que ir ao Beira tomar uma cervejinha, encontrar com os amigos, comer uma comida daquelas (hummmm…), num lugar de inspiração para criação, decisões, reunião e intercâmbio. Um ambiente múltiplo, que contempla a diversidade cultural da cidade.

Moro em Bsb há onze anos e desde então frequento o Beira, e não dispenso a cerva servida em neve.

Bofe exxxcândalo

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por Priscila

Sempre frequentei o Beirute, principalmente na época de faculdade. Tenho um amigo gay que se sentia melhor indo para lá, porque o Beirute sempre foi reconhecido por ser um bar democrático, sem qualquer tipo de preconceito.

Em mais uma reunião da turma, cheguei com meu, então, namorado ao Beirute da Asa Sul. Sentei a mesa com meus amigos e meu namorado foi ao banheiro. Logo depois o amigo, que mencionei, senta ao meu lado e diz: “Priiii, tem um bofe exxxcândalo no banheiro!! Que homem!! Mas acho que ele não é…”, disse desolado. Continuamos a conversa. Eis que, descendo as escadas, um homem não parava de olhar em nossa direção. Meu amigo diz: “Priiii, é aquele! Nossa, ele não pára de olhar pra cá…”. E eu: “É, amigo, tô vendo! Será que ele gostou de você?!”. “Será?!”, ele retrucou. O homem começou a se aproximar da gente e meu amigo estava cada vez mais tenso, fazendo caras e bocas para o homem e pra mim! O homem sentou, meio sem graça, ao meu lado.  … Silêncio… Os olhares ficaram se cruzando por longos segundos na mesa.

O silêncio foi quebrado: “Huguinho, esse é Zezinho, meu namorado!”. Conclusão da história: meu amigo ficou rosa-chiclete com a situação! Logo depois, demos boas risadas do ocorrido!